544 acidentes aconteceram com turistas no Brasil durante viagens de lazer no ano passado; 303 terminaram em morte, segundo ONG que dá apoio jurídico e psicológico a familiares e vítimas:

O Brasil tem hoje 32 normas técnicas para o chamado turismo de aventura, que inclui práticas como caminhada, escalada, cicloturismo e mergulho. Essas normas são usadas por certificadoras de hotéis, parques e resorts que podem garantir ao consumidor que a empresa segue padrões de qualidade e segurança.

Só no ano passado, ao menos 544 acidentes aconteceram com turistas no Brasil durante viagens de lazer; 303 terminaram em morte. Imperícia e negligência de prestadores do serviço, falha em equipamento e falta de sinalização estão entra as causas. Os dados são da ONG Férias Vivas, que dá apoio jurídico e psicológico a familiares e vítimas de acidentes.

A história da organização começou quando a fundadora Silvia Basile perdeu a filha de 9 anos durante um passeio a cavalo em um resort em Alagoas. “Esse passeio a cavalo era oferecido pelo resort. Só que eles coloraram ela com 9 anos numa sela de adulto. E como ela não alcançava o estribo, eles colocaram o pé dela no louro. O louro é a correia que segura o estribo. A barrigueira do animal afrouxou, a sela rodou, ela ficou com o pé preso no louro e foi arrastada pelo animal, sofreu traumatismo craniano e ficou por isso mesmo. Eu fiquei com muita, muita raiva”, relembra.

Depois de 10 anos Silvia afirma ter recebido apenas 1/4 da indenização pedida pela morte da filha. Hoje, o trabalho dela é dedicado à ONG. “O consumidor precisa reclamar em relação ao serviço. Outra orientação é em caso de acidente. Acidente de buggy no Nordeste, em trilhas, por falta de sinalização. Esses acidentes ocorrem e podem ser evitados com orientações fáceis”, afirma Silvia.

Nesta semana, o radialista Ricardo Hill, de 43 anos, morreu em um das atrações do Beach Park, um dos maiores do mundo, na região metropolitana de Fortaleza. A Polícia do Ceará espera concluir o inquérito em até 30 dias.

Beach Park/Divulgação

Quem já trabalhou no complexo aquático diz que a empresa faz um treinamento rigoroso com os funcionários, relata Jardel Andrade, que foi promotor de marketing. “Eu chegava muito cedo e sempre via eles em treinamento de primeiros socorros. Eles fazem várias corridas na praia pra manter a forma”, descreve o ex-funcionário.

A reportagem da BandNews FM pediu entrevista ao Beach Park. No entanto, a empresa só se pronunciou por nota. No texto, dizem que as normas de segurança e recomendação para os visitantes sobre cada atração são apresentadas na entrada e que todo o time participa diariamente de treinamentos com as equipes de segurança e primeiros socorros.

A nota destaca ainda que, semanalmente, todos são avaliados e auditados por uma empresa líder na indústria internacional de segurança aquática e gerenciamento de riscos. Os funcionários do parque seguem os protocolos de segurança e as recomendações do fabricante do brinquedo e avaliam a altura e o peso antes da descida.

São feitas também, segundo a empresa, duas triagens através de perguntas dos instrutores para os clientes: a primeira de altura, logo na entrada da atração. E a segunda de peso do grupo que vai descer nas boias.

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