O Campo de Marte foi o primeiro aeroporto de São Paulo e, antes da inauguração de Congonhas, em 1936, recebia todos os voos comerciais da cidade. Atualmente, concentra apenas o tráfego de helicópteros e aviões de pequeno porte, mas, ainda assim, permanece como um dos mais movimentados do país.

A queda de um monomotor Cessna sobre casas próximas ao aeroporto na última sexta-feira, acidente que deixou os dois tripulantes mortos e mais de dez moradores feridos, reabre uma discussão antiga na região.

Prefeito defende desativação e parque

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, defendeu a desativação do Campo de Marte. “A gente insiste com o governo federal que a Prefeitura quer receber aquela área. Essa foi uma tratativa feita ainda pelo prefeito João Dória (PSDB) com o presidente Michel Temer (MDB)”, afirma.

Covas diz esperar que o novo governo dê continuidade às negociações e que o aeroporto dê lugar a um parque. “Ali não comporta um aeroporto. Esse não foi o primeiro nem o segundo acidente.”

Nos últimos dois anos, houve dois acidentes na região. Em um deles, em julho passado, um avião que tinha saído de Santa Catarina caiu na pista, matando o piloto e deixando seis feridos.

Em 2016, um monomotor que tinha decolado rumo ao Rio de Janeiro caiu em cima de uma casa no Jardim São Bento, também na zona norte da capital. Os sete ocupantes morreram, entre eles, o ex-presidente da Vale Roger Agnelli.

Associação de pilotos quer aeroporto onde está

Apesar dessas ocorrências, o presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves, George Sucupira, a ideia de desativar o Campo de Marte é resultado de “ignorância” sobre o assunto.

“No mundo inteiro, os aeroportos são da cidade, porque o passageiro não quer ‘viajar’ para pegar um avião. Nova York, que é uma cidade com fluxo de táxi aéreo muito maior, tem quatro aeroportos dentro da cidade.”

Ele cita, ainda, a importância da localização do Campo de Marte para o atendimento de emergências.

“Imagine deslocar um avião Águia para uma emergência saindo do aeroporto de Jundiaí, no interior, e o tempo que ele perderia para atender a uma pessoa que está acidentada na marginal, por exemplo. O povo tem de entender isso. Quando acontece um acidente, aí todo o pessoal do setor imobiliário vem dizer que lá é um perigo, que tem de fechar, porque querem construir em volta. É um absurdo.”

O presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves, George Sucupira, destaca, ainda, que os aviões permanecem sendo o meio de transporte mais seguro e passam por manutenções constantes.

De São Paulo, Aiana Freitas

Ouça a reportagem completa:

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário!
Por favor, informe seu nome