Foto: Luiz Maia

“A lama veio em ondas, que subiam e formavam redemoinhos no alto”. Essa foi a descrição de um funcionário da Vale que preferiu não gravar entrevista e, por viver perto de onde estava o complexo administrativo da mineradora, foi almoçar em casa. Ela escapou do mar de rejeitos que desceu o Vale do córrego do feijão, mas perdeu amigos e colegas.

O mecânico Maurício Ornelas, morador de Brumadinho, estava passando mal na última sexta-feira, o que salvou a vida da esposa dele. Ela era funcionária da pousada que ficou completamente coberta pela lama, mas estava em casa quando a barragem veio abaixo. Maurício passou o dia no posto avançado montado pelo Corpo de Bombeiros, acompanhando como voluntário o resgate de corpos que estavam soterrados na lama.

Mais de uma dezena de vezes os helicópteros que decolavam do campo de futebol usado como área de pousos e decolagens voltaram com as redes de resgate carregando pessoas que morreram em mais um crime ambiental de grandes proporções. Um resgate difícil para o Corpo de Bombeiros, já que o acesso às áreas atingidas ainda é limitado pela consistência da lama.

O capitão Leonard Farah, comandante da companhia de busca e salvamento especializado, que também atuou nos resgates de Mariana, em 2015, contou que os pontos onde os corpos são encontrados são sinalizados em uma mapa, para que as equipes entendam melhor o trajeto da lama e saibam onde havia uma maior concentração de pessoas. Animais também estão presos na lama.

Pelo menos 14 cães e 4 aves foram resgatados com vida, mas a veterinária Carla Sássi, membro da comissão de desastres do conselho regional de medicina veterinária, explica que vacas, cavalos e outros animais de grande porte nem sempre conseguem ser retirados da lama.

Os trabalhos de busca se estendem por uma área que, em linha reta, atinge sete quilômetros de extensão. O tenente coronel Ângelo, comandante das operações por aqui, explicou que a área foi dividida com os militares israelenses que chegaram hoje.

Os equipamentos trazidos de Israel devem ser de pouca utilidade, segundo o embaixador israelense Yossi Shelley. Ele explicou que os instrumentos já foram usados em outros contextos, nunca para fazer buscas na lama.

Ouça o boletim completo:

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário!
Por favor, informe seu nome