De São Paulo, Ivan Brandão

A alta do dólar não afeta apenas os produtos importados e as viagens ao exterior. Desde a greve dos caminhoneiros, ainda que em meio à oscilação constante, a moeda americana está sempre flertando com os R$ 4,00 e o impacto nas gôndolas dos supermercados já é sentido pelo consumidor.

Um levantamento feito pela Associação Paulista de Supermercados, aponta, por exemplo, uma alta de 31% no preço do frango nos últimos 12 meses. O pão francês ficou 10% mais caro, o macarrão, 12,5%, já a carne de porco subiu 8,5%, enquanto a carne bovina aumentou 7,6%.

O economista da APAS, Thiago Berka explica que, no caso das carnes, o Brasil tem aumentado as exportações e, com menos produtos à disposição do mercado interno, o preço acaba subindo. “Fica muito melhor para as empresas conseguirem lucrar com esse dólar a quatro reais, conseguindo recuperar as suas margens de receitas perdidas durante o ano de 2018 e acaba retirando um pouco da oferta interna, que acaba tendo que subir para compensar esse menor lucro externo”.

No caso dos pães, das massas e até dos biscoitos e salgadinhos, o motivo é outro: o trigo é cotado em dólar. “Trigo é um produto que o Brasil importa, principalmente da Argentina, e ele é cotado em dólar, o que faz com que esse insumo importante para vários produtos, os deixem bem mais caros. Por mais que a indústria e o varejo de supermercado tentem segurar, nós estamos com recorde de importação desde 2013.”

Outros produtos que apresentaram alta nos últimos 12 meses em função da alta do dólar foram o sabão de roupa líquido (11,7%), o desinfetante (10,4%) e o inseticida (11,5%). Isso ocorre porque o Brasil não é autossuficiente nas matérias primas utilizadas na produção desses itens e, como a indústria não consegue absorver todos os custos, a alta é repassada ao consumidor.  O levantamento foi feito com base no Índice de Preços dos Supermercados, composto por 225 itens.

 

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