Você pesquisa o preço na internet, vai até a loja, compra, chega em casa, abre a embalagem, usa e pronto: aabou aí a sua participação no ciclo de vida de um produto, certo? Errado.

O destino dado àquele produto e à embalagem dele depois do uso também é da sua conta, e muitos consumidores já perceberam isso.

A bióloga Larissa dos Santos Rocha passa várias noites batendo na porta de apartamentos de condomínios de São Paulo. Ela trabalha como agente de educação ambiental do Instituto Muda, uma empresa que coleta lixo reciclável em prédios da cidade.

A tarefa é ensinar aos moradores o que pode ser colocado no contêiner que fica no subsolo.”Aqui vai papel, papelão, plástico, alumínio, ferro, vidro”, ensina.

Moradores passam por treinamento

A contratação dos serviços do Instituto Muda foi a forma que a síndica Laura Nogueira encontrou de melhorar a coleta do prédio que administra, na Vila Olímpia, zona sul da capital paulista.

O condomínio já destinava o material para uma empresa credenciada da prefeitura, mas ela gostou da ideia de o projeto também levar educação ambiental para os moradores.

“A diferença é do instituto é que eles vão em todas as unidades e fazem um trabalho de treinamento, para a gente ter o mínimo de risco. Eles vão fazer um relatório de rejeitos para a gente, para que a gente saiba se o lixo está indo para o contêiner correto.”

30% de lixo comum

O contrato inicial foi bancado pelo condomínio; em um ano, o projeto será revisto e, se for renovado, o gasto será de R$ 10 por morador. Segundo Laura, a iniciativa foi muito bem recebida.

“A perspectiva é de a gente diminuir a quantidade de lixo orgânico e não reciclável para 30% do nosso volume de lixo. Tem de entrar na onda, né? Precisamos cuidar do nosso planeta e do lixo”, diz Laura.

Para a moradora Erika Pastore, a anfitriã da noite em que a reportagem da BandNews FM foi ao prédio, a ideia pareceu mesmo boa. Ela já tem o hábito de separar o lixo no apartamento em que mora com o marido e as três filhas e o assunto é comum dentro de casa.

“A escola em que as minhas filhas estudam também tem coleta seletiva. Lá, elas ganham adesivos por levarem foto de uso de canudo e copo reutilizável”, conta.

Carro cheio de ‘lixo’

Mesmo quando a coleta não bate na porta, tem gente disposta a ir mais longe para dar o destino correto ao lixo que produz. A fotógrafa Camila Thomazete enche o carro e dirige da Serra da Cantareira, onde mora, até um posto da startup Molécoola no Shopping Center Norte.

“Eu pego o lixo de todo mundo em casa. Passo todo dia nos quartos, dou uma olhadinha nas lixeiras, recolho e levo no Molécoola.”

A startup tem dois anos e cinco unidades na capital paulista. Funciona como um programa de fidelidade: o consumidor que leva o lixo recebe pontos; se a embalagem pertencer a empresas parceiras, o saldo fica ainda maior.

Classificação incorreta

Para o fundador Rodrigo Jobim, mais do que os pontos, o que causa o engajamento mesmo é a certeza da destinação correta e a informação prestada pelos funcionários das unidades.

“Hoje em dia, 40% de tudo o que as pessoas separaram em casa é rejeito. Isso é resultado da classificação incorreta que as pessoas fazem. Ou seja: a maior parte das pessoas já entendeu que a gente precisa reciclar, que não tem saída. Mas a maior parte das pessoas também não sabe como.”

Confira abaixo o quarto capítulo da série “Lixo é coisa séria”:

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