Paulo Whitaker/Reuters

O portal The Intercept Brasil afirma que tem mais de 1.600 horas de conversas, áudios e vídeos trocados entre o então juiz Sérgio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato. A divulgação das mensagens levantou questionamentos, defesas e críticas à atuação dos investigadores e à imparcialidade do agora ministro da Justiça e da Segurança Pública.

O conteúdo, que teria sido obtido por um hacker, segundo o Ministério Público Federal, contém trechos em que Moro estaria orientando ações da Lava Jato, em conversas com o procurador Deltan Dallagnol. De acordo com o texto, o então juiz federal teria aconselhado Dallagnol em diferentes momentos: ao falar sobre fases da investigação, por exemplo, ele teria sugerido uma inversão na ordem das ações.

Em outro trecho, a reportagem do The Intercept Brasil traz que o atual ministro da Justiça questionou: “não é muito tempo sem operação?” – se referindo à ausência da força-tarefa da Lava Jato nas ruas por um mês. A publicação também diz que Moro sugeriu testemunhas ao MP. Eles teriam conversado, ainda, sobre as investigações contra o ex-presidente Lula – o procurador parecia preocupado com as críticas de juristas sobre a consistência das provas.

Segundo a matéria, Moro tranquilizou Dallagnol: “Definitivamente, as críticas à exposição de vocês são desproporcionais. Siga firme”. Durante um evento nesta segunda-feira, o ministro garantiu que não guiou ações da força-tarefa.

Para o âncora do BandNews no Meio do Dia, Eduardo Oinegue, o conteúdo das mensagens mostra uma parcialidade de Moro. O jornalista ressalta que a Justiça tem um compromisso com à sociedade: julgar de forma isenta.

A colunista de política da BandNews FM Dora Kramer classifica como “imprópria” a conversa entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Mas, com base no conteúdo divulgado até agora, ela avalia que não existe material sugiciente para, por exemplo, afastar autoridades públicas.

O procurador Deltan Dallagnol se defendeu das acusações, negando qualquer ilegalidade na atuação da força-tarefa e criticando o ataque de um hacker a celulares de autoridades.

O colunista de política da BandNews FM, o professor Fernando Schuller, afirma que o ataque hacker contra autoridades públicas é grave e precisa ser investigado.

Em entrevista à rádio BandNews FM, o editor-executivo do Intercept Brasil, Leandro Demori, disse que não procurou o atual ministro Sérgio Moro ou os integrantes da Lava Jato antes das reportagens porque temia que a divulgação fosse impedida. Sobre a possibilidade de as conversas terem sido obtidas através de um ataque hacker, como afirma o Ministério Público e o Ministério da Justiça, o jornalista diz que recebeu os conteúdos de uma fonte anônima.

O The Intercept não confirmou quando vai divulgar novas informações e também não adiantou se outros nomes estão envolvidos. Para âncora do É da Coisa, Reinaldo Azevedo, o juiz Sérgio Moro foi parcial na Lava Jato e é preciso investigar se outros magistrados cometeram ilegalidades.

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público informou que vai apurar a troca de mensagens vazadas. O corregedor responsável pela fiscalização disciplinar dos integrantes do MP, Orlando Rochadel Moreira, defendeu na decisão que a sociedade deve ter a plena convicção de que os promotores têm como base a plena legalidade, mantendo a imparcialidade e relações impessoais com os demais poderes constituídos.

O corregedor determinou ainda que o procurador Deltan Dallagnol seja notificado para apresentar a versão dos procuradores sobre os fatos.

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