Casas históricas na zona Leste de São Paulo são demolidas mesmo sob embargo da Subprefeitura da Mooca. A Vila Operária João Migliari ocupava um quarteirão na Vila Gomes Cardim com 40 casas, todas construídas na primeira metade do século 20.

Do total, 38 sobrados foram destruídos ontem por uma imobiliária, um dia antes de o processo de tombamento do espaço ser analisado. Quem mora na região diz que a ação foi ilegal, já que havia uma notificação impedindo a intervenção no terreno.

A Subprefeitura da Mooca confirma que o embargo gerou multa de 40 mil reais à Bruno Lembi Empreendimentos, responsável pela área. Um dos vizinhos da vila, Clécio Bachini, conta que a construtora não montou nenhum esquema de segurança para a demolição:

 

As casas foram esvaziadas ao longo da semana passada; antes, eram alugadas como residência ou comércio. Os antigos moradores relatam que negociaram a saída sob pressão da imobiliária responsável pelo terreno.

A empresa teria autorizado a venda da vila para a construtora Porte Engenharia e Urbanismo sem que os locatários soubessem da transação. É o que conta o Seu Ivan, dono do único sobrado restante onde funciona uma barbearia e um bar:

Casas foram destruídas sem permissão

No caso do Seu Ivan, a negociação com a atual construtora dona do terreno é mais complicada, porque envolve um alto valor de indenização. Isso porque, três anos atrás, ele investiu mais de 200 mil reais no negócio que toca ainda até hoje.

Além do problema com os locatários, os moradores da região também reclamam da atuação do Departamento de Patrimônio Histórico. A comunidade fez o pedido de tombamento das casas em maio deste ano, depois de parte da vila ter sido vendida para a construção de prédios residenciais.

A solicitação, no entanto, só entrou na pauta na semana passada e seria analisada hoje (02). O arquiteto Lucas Chiconi esteve à frente das negociações e conta que região era histórica, mas estava conservada e em pleno funcionamento:

A Vila Operária antes das demolições

Nós tentamos contato com a Bruno Lembi Empreendimentos, mas não conseguimos até agora. A empresa está sujeita à multa diária de 4 mil reais, caso faça qualquer tipo de intervenção no local.

A Porte Engenharia e Urbanismo diz que as casas não são de propriedade da companhia e que não sabe o que será feito no terreno. O Departamento de Patrimônio Histórico afirma que vai buscar as medidas cabíveis para o caso.

5 COMENTÁRIOS

  1. Brasileiro é jumento mesmo. Na Europa tudo é tombado e são muito mais ricos que nós, nos EUA 90% da população mora em casas. Só aqui que adoram derrubar casas dos antepassados para construírem pombais no estilo Coreia do Norte. A zona Leste de SP é mais feia que Pyongang, graças a essas construtoras lixo

    • É como dizia um velho slogam: “Um povo sem passado, não sabe o povo que é”. Lamentável a perda de mais um patrimônio.

  2. A prefeitura não deveria autorizar alvará de zoneamento residencial ou comercial como é feito no exterior. Mesmo se eles construírem um prédio novo, não terão como vender ou alugar.

  3. Por favor. Que se restabeleça a verdade dos fatos. Essa vila agora destruída era a Vila Azevedo, nome esse em homenagem ao seu criador o Dr. Francisco Vicente Sales De Azevedo, sócio proprietário da Cerâmica Porcelite e da Cia Paulista de Loucas Ceramus , está que ficava no bairro do Belém. O Dr Azevdo como era chamado , foi grande empresário na época dos anos 40 e 50, , inclusive foi um dos fundadores e presidente da FIESP. A vila foi construída para morada dos operários da Porcelite e da Ceramus. Nunca entendi de onde surgiu esse novo nome da vila. Que se restabeleça os fatos.

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