Ivan Alvarado/Reuters

Manifestantes prometem realizar um grande protesto hoje em Quito, capital do Equador. Os atos contra o governo já duram uma semana e são marcados pelos confrontos com as forças de segurança do país. Na última terça-feira, o presidente equatoriano, Lenín Moreno, decretou toque de recolher, proibindo a circulação de pessoas entre as oito da noite e as cinco da manhã. A medida só vale para os chamados locais estratégicos, como proximidades de prédios públicos.

O anúncio aconteceu depois de manifestantes empunhando bandeiras e gritando palavras de ordem invadirem o Parlamento do Equador, em Quito. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que estavam nos arredores do prédio. Cercado por generais, Lenín Moreno fez um pronunciamento acusando o antecessor e antigo aliado Rafael Correa de tentar dar um golpe de Estado.

Moreno disse que vários aliados de Correa viajaram à Venezuela para conspirar com o regime do ditador Nicolás Maduro:

 

De Bruxelas, na Bélgica, o ex-presidente Rafael Correa negou estar por trás dos protestos e chamou Lenin Moreno de mentiroso. Ele ainda pediu que novas eleições sejam realizadas no país:

 

Correa vive na Bélgica desde que deixou a presidência e não pode voltar ao Equador porque há uma ordem de prisão contra ele. O ex-presidente é acusado de ordenar o caso de sequestro do político opositor Fernando Balda, ocorrido em 2012. Em meio ao cenário de instabilidade no país, o presidente Lenín Moreno já havia anunciado a transferência da sede do governo para a cidade litorânea de Guayaquil.

A capital Quito foi cercada nos últimos dias por uma marcha liderada pela maior organização indígena do país, que assumiu na última segunda-feira o comando dos protestos iniciados pelo setor de transportes. Em Guayaquil, cidade que passa agora a ser sede das atividades administrativas do governo equatoriano, também houve manifestações. A BandNews FM conversou com o ator e dramaturgo Raul Sanchez, peruano que vive há um ano na cidade.

Ele contou que os atos se concentraram principalmente em bairros do centro e do sul de Guayaquil:

 

Raul Sanchez relatou também uma onda de assaltos e saques ao comércio, especialmente em lojas de produtos eletrônicos e eletrodomésticos:

 

O ator disse que a população não sabe o que vai ocorrer nos próximos dias e espera para ver se haverá mudanças com a chegada do governo à cidade:

 

Os manifestantes dizem que não irão recuar enquanto o presidente Lenín Moreno não anular a medida que retirou o subsídio dos combustíveis, o que provocou uma alta de mais de cem por cento nos preços da gasolina e do diesel.

Na última quinta-feira, o governo do Equador decretou estado de exceção por 60 dias, o que permite que os militares também atuem na repressão aos protestos. As manifestações já deixaram um morto e 73 feridos. Pelo menos 570 pessoas foram detidas por vandalismo nos últimos dias.

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