(Foto: Reprodução/ Wikipedia)

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo será a responsável por apurar a ação dentro da favela de Paraisópolis, na zona sul da cidade, que resultou na morte de 9 pessoas na madrugada de sábado para domingo. Outras 12 pessoas ficaram feridas.

A Polícia Militar retirou ontem das ruas seis homens do 17º Batalhão que atuaram na operação. De acordo com a corporação, o tumulto começou quando os agentes perseguiam dois criminosos em uma moto.

Para fugir, a dupla atirou contra os policiais e entrou na festa, que reunia cerca de 5 mil pessoas. Assim que os oficiais chegaram ao chamado “Baile da 17”, foram recebidos com pedradas. Os agentes chamaram reforço para tentar dispersar a população e usaram cassetetes e bombas de efeito moral.

Em entrevista à BandNews FM, o porta-voz da Polícia Militar, tenente-coronel Emerson Massêra, explicou que as vítimas foram pisoteadas, o que resultou nas mortes:

 

Familiares de vítimas contestam a versão da PM. O primo de um dos mortos, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, de 16 anos, sobreviveu à confusão e chegou em casa muito machucado nas costas, nos braços e na cabeça. Segundo parentes deles, os dois caíram no chão e, na sequência, foram espancados por PMs:

 

Circulam na internet vídeos em que policiais militares agridem jovens que estavam no chamado “Baile da 17”.

O tenente-coronel da PM, Emerson Massêra, afirmou que as imagens estão sendo analisadas. Caso seja confirmado que o registro é da operação deste fim de semana, o porta-voz disse que o aspecto das investigações será “agravado”.

Irmão de outro dos mortos no tumulto, Danilo Franco conta que o adolescente Denis Guilherme Franco, de 16 anos, morava na Vila Matilde, na zona leste de São Paulo, e foi à festa pela primeira vez:

 

Fernanda dos Santos Garcia, irmã de Denis, se emocionou ao falar do adolescente:

 

O governador de São Paulo, João Doria, ressaltou que não vai mudar a política de segurança pública do Estado. Ele reconheceu, porém, que erros podem ter sido cometidos durante a operação:

 

Muito abalada, Vanine Cristiane Siqueira ainda não consegue se conformar com a morte do irmão, Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos:

 

Roberto Oliveira era padrinho de Gustavo Xavier, de 14 anos, a vítima mais jovem do caso. Segundo ele, por enquanto, nenhum familiar ou colega do garoto foi procurado pela polícia para prestar depoimento:

 

Outra vítima na tragédia de Paraisópolis é Luara Victoria de Oliveira, de 18 anos. Segundo o amigo da jovem, Leônidas Nascimento, o corpo da garota apresentava sinais de agressão:

 

O Secretário de Segurança Pública de São Paulo, General Camilo Pires de Campos, alegou que a polícia apenas se defendeu quando entrou no “Baile da 17”:

 

A Polícia Civil começou a ouvir testemunhas da ação para descobrir mais detalhes sobre a operação.

No domingo à noite, moradores de Paraisópolis fizeram um protesto na Rua Ernest Renan, que fica na favela. O grupo carregava cartazes pedindo justiça e contestava a versão divulgada pela Polícia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário!
Por favor, informe seu nome