Foto: Arthur Covre

Roberto Curcio fala com tristeza sobre a profissão de relojoeiro que exerce há 60 anos. “Acabou. Hoje, em São Paulo, somos uns 30, só. As peças chinesas, de plástico, tomaram conta do mercado e são descartáveis, praticamente. Não precisam de conserto”. Seu Roberto passa a maior parte do dia na oficina onde trabalha, na Rua Gama Cerqueira, nº 439, no bairro do Cambuci, em meio a relógios e peças espalhadas por todos os cantos. Ele é especialista em conserto de relógios antigos. “Esse modelo aqui tem uns 150 anos”, conta.

Começou a trabalhar em uma relojoaria que pertencia a dois italianos na Rua do Seminário, mas como ajudante geral. Tinha apenas 12 anos.

Aprendeu o ofício depois, ao observar, da rua, outro relojoeiro no centro de São Paulo. “Eu ia todo dia até lá e ficava observando ele trabalhando com os relógios, com aquela lente de aumento em um dos olhos. Até que, um dia, ele me chamou, percebeu meu interesse e começou a me ensinar”. De lá pra cá, são 60 anos de história como relojoeiro. Passou por outras relojoarias, trabalhou também consertando taxímetros e outros produtos similares. Trabalha sozinho. “Meu filho já esteve aqui comigo, mas não era o que ele queria”. Seu Roberto admite ainda que, mesmo quem trabalha com o tempo também perde a hora de vez em quando. Mas faz a ressalva: – Eu também faço a hora.

Ouça abaixo mais uma edição do Cidade em Retratos com o repórter Arthur Covre.

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