(Foto: Reprodução)

Pacientes com câncer que dependem do atendimento de oncologistas no Hospital Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, reclamam da falta de médicos na unidade.

Apesar do isolamento recomendado por causa do avanço do coronavírus, algumas pessoas que fazem quimioterapia, por exemplo, precisam continuar as sessões. O problema no Hospital Heliópolis começou em dezembro do ano passado, depois da aposentadoria de uma oncologista responsável por consultas e encaminhamentos médicos.

Essa funcionária distribuía não só receitas para a compra de medicamentos, mas também emitia os documentos necessários para quimioterapia e radioterapia na própria unidade. Pacientes relataram à BandNews FM que, agora, há apenas UMA médica gerenciando esses serviços, tentando atender quase MIL pessoas por mês.

A Secretaria Estadual da Saúde diz, no entanto, que a equipe de oncologia do Hospital Heliópolis tem quatro profissionais, mas que vai dobrar esse quadro ainda neste mês. Fato é que a deficiência no número de médicos nos últimos 4 meses deixou a dona Sonia Regina Safani sem medicamentos para aliviar as dores causadas pelo câncer:

 

A Sonia tem 63 anos e faz parte do grupo de risco para coronavírus, mas diz que não tem como deixar de ir ao médico no Hospital Heliópolis justamente porque precisa dos remédios. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo prometeu que vai manter o serviço de todas as áreas no complexo, apesar do avanço da Covid-19, e, por enquanto, não há informações sobre mudanças estruturais na unidade para receber casos da nova doença.

Enquanto isso, quem também sofre com a falta de médicos é a irmã da Lindalva dos Santos, paciente com câncer no esôfago que, no fim do ano passado, entrou em metástase e deixou sequelas. Com a piora da doença e sem médico para prescrever a quimioterapia, a Lindalva tentou recorrer a outro hospital, mas não conseguiu a transferência:

 

Depois de meses, a irmã da Lindalva conseguiu os documentos para realizar quinze sessões de radioterapia com a médica que tem feito os encaminhamentos oncológicos. O procedimento combate células cancerígenas de uma única região do corpo, diferentemente da quimioterapia, que passa por áreas onde o câncer está ou esteve.

Os dois métodos, no entanto, fragilizam o sistema imunológico do paciente, o que aumenta os riscos de contágio de outras doenças, incluindo o coronavírus. O oncologista e fundador do Instituto Vencer o Câncer, Dr Fernando Maluf, explica quais são os pacientes com a doença que integram o grupo de risco para a Covid-19:

 

A recomendação de isolamento domiciliar por conta do novo coronavírus pode fazer alguns pacientes oncológicos repensarem o tratamento. Mas o médico Fernando Maluf diz que essa decisão depende de cada caso:

 

Vale lembrar que os cuidados diários contra o coronavírus por pacientes com câncer são os mesmos: lavar bem as mãos com água e sabão, usar álcool em gel, evitar aglomerações e manter distanciamento social.

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