A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda regras para os fabricantes de alimentos integrais, deixando a escolha do consumidor mais fácil. Atualmente, não existe regulamentação sobre o assunto no país, embora as empresas ostentem expressões como “12 grãos”, “multigrãos” e “grãos ancestrais” nas embalagens.

O presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, Durval Ribas Filho, afirma que os alimentos integrais são mais saudáveis. “Têm mais nutrientes, vitaminas, minerais, proteínas e fibras.”

O problema é que ler só “integral” no rótulo não ajuda muito. Com a falta de regulamentação, uns podem ser “mais integrais” do que os outros e o consumidor não perceber. “Na prática, um fabricante pode usar 1% de grãos com propriedades originais, outro usar 100%, e ambos usarem a palavra “integral”, explica o médico nutrólogo.

Farinha com farelo

O jeito é ler a lista de ingredientes com atenção, alerta a nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Laís Amaral. Se o primeiro item for farinha integral, é um bom sinal, porque ela sempre começa com aquilo que existe em maior quantidade. Se for farinha refinada, alerta vermelho.

“Eles misturam a farinha refinada com o farelo de trigo. Se eu misturo, eu tenho menos do integral propriamente dito. O farelo que é misturado nessa farinha vai ter uma quantidade maior de fibra, mas não vai ter outros nutrientes importantes que teria se fosse um grão integral de verdade”, explica Laís.

Uma pesquisa feita pelo Idec com 14 biscoitos classificados integrais nas embalagens constatou que apenas três continham farinha de trigo ou cereal integral como principal ingrediente; nenhum tinha alto teor de fibras.

Regulamentação fora do país

Fora do país, o tema já foi regulamentado, mas de formas bem diversas.

“No Canadá, quando se fala em pão integral, ele tem de ser preparado com um mínimo de 50% de farinha de trigo integral. Na Holanda, é a mesma coisa. Já na Alemanha, a exigência é maior: chega a ser de 90% a 100%, por exemplo, no macarrão”, diz o presidente da Associação Brasileira de Nutrologia.

Para Durval Ribas Filho, para ser classificado como integral, o alimento deveria ter, pelo menos, 50% de grãos do tipo.

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