Há cinco anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estuda a melhor forma de regular os rótulos dos alimentos. O objetivo é tornar mais fácil, para o consumidor, identificar a presença excessiva de nutrientes que fazem mal à saúde, como açúcar e sódio. Hoje, essas informações constam de tabelas nutricionais e listas de ingredientes, difíceis de serem lidos e interpretados.

Como é hoje? Existe a tabela nutricional, aquela que mostra a quantidade de vitaminas, gorduras e proteínas que existem por porção nas embalagens dos produtos; é difícil de interpretar porque a porção de cada produto varia muito, precisa fazer conta, tem nota de rodapé, explicações.

Existe a “lista de nutrientes”, que apresenta o que existe de matéria-prima naquele produto: o que existe em mais quantidade vem primeiro, depois vem o segundo, etc. Só que às vezes essa lista é enorme, de mais de dez ingredientes, além de ter letra pequena e termos que ninguém conhece, tipo “benzonato de sódio” ou “tartrazina”.

Existe a “informação nutricional complementar” ou “alegação nutricional”, que não é obrigatória. A empresa é que decide se quer colocar, e geralmente ela coloca as informações que servem mais de marketing para os produtos, como círculos em que se lê “menos açúcar” ou “integral” e a gente não sabe os dados são confiáveis – embora costumem ter mais destaque do que a tabela ou a lista.

Então, existem três modelos em estudo pela Anvisa. Um, defendido pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) é baseado na experiência do Reino Unido e traz um semáforo nutricional que informa as quantidades absolutas e relativas (porcentual do valor diário recomendado) de calorias, açúcares, gorduras saturadas e sódio e utiliza as cores vermelha, amarela e verde para indicar o alto, médio e baixo nível de cada constituinte (vermelha: muita quantidade; amarela: média; verde: pouca).

O outro, defendido pela Sociedade Brasileira de Nutrologia, é baseado no modelo francês e cruza as informações nutricionais de um alimento e classifica esse produto numa escala de A a E – parece um pouco o que a gente tem hoje em eletrodoméstico com relação ao consumo de energia. No caso dos alimentos, porém, a nota é dada por um algoritmo que cruza as informações nutricionais.

E um terceiro, defendido pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, o Idec, é baseado no modelo do Chile e traz sinais de advertência em formato de triângulos com fundo preto que destacam o excesso de sal, açúcar, gorduras totais e gorduras saturadas.

A questão é que, de 2014 até agora, cinco ministros já passaram pela pasta da Saúde e o tema não saiu muito dos debates iniciais. A expectativa é de que a Anvisa abra uma consulta publica sobre o assunto, mas a agência está com dificuldade para contemplar, num mesmo modelo, a indústria de alimentos, os órgãos de defesa do consumidor e os médicos – o único consenso entre as partes até agora parece ser o que de os rótulos precisam ter informação sobre a quantidade de açúcar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Deixe seu comentário!
Por favor, informe seu nome