As imagens da retirada de um canudo do nariz de uma tartaruga marinha circularam o mundo e tornaram o objeto o símbolo mais forte da luta contra o uso do plástico, que demora de 50 a 200 anos para se decompor.

Aqui no Brasil, capitais como Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo editaram leis proibindo o fornecimento em bares e restaurantes; copos e as sacolas são outros “vilões” citados em legislações.

Além de iniciativas locais, existe a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que, apesar de já ter nove anos, é pouco cumprida, segundo especialistas.

São Paulo versus Afuá

Até agora, a União não fez um plano prevendo as ações que vai adotar na prática; entre os Estados, só 16 têm planejamento próprio; nas cidades, a dificuldade está na eliminação completa dos lixões.

“São Paulo tem muito mais condições de cumprir com essa política do que Afuá, no Pará, que tem boa parte da superfície coberta por água, o que impede que ele tenha um aterro sanitário”, diz a supervisora do Núcleo Territorial da Confederação Nacional de Municípios, Cláudia Lins.

Em abril, o Ministério do Meio Ambiente lançou o Programa Nacional Lixão Zero, para apoiar os municípios na adoção de práticas adequadas de destinação do lixo; o governo promete, também, buscar recursos para financiar essas ações.

+ Mas o caminho ainda é longo para que o Brasil se equipare aos países mais ricos. “O estágio em que o Brasil está hoje é o mesmo em que esses países estavam na década de 80, com uma deficiência na coleta e problemas na destinação”, afirma o diretor-executivo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública, Carlos Silva Filho.

Falta de incentivos

Para ele, o assunto também ainda não é prioridade de gestores públicos e privados. “Nós não temos leis de incentivo para reciclagem, para energia renovável gerada a partir de resídios sólidos ou para o uso do resíduo como matéria-prima em novos processos.”

Outro objetivo da política nacional é valorizar o papel dos cerca de 600 mil brasileiros que vivem do lixo, como José Antônio Miranda, de 52 anos.

Ex-promotor de vendas, ele disse que se “apaixonou” pela reciclagem depois que teve problemas com álcool e só encontrou emprego numa cooperativa de São Paulo. “A reciclagem dá oportunidade para todo mundo, como ex-prisioneiros e alcoólatras.”

Acompanhe, abaixo, o segundo capítulo da série “Lixo é Coisa Séria”, que a BandNews FM leva ao ar na Semana Mundial do Meio Ambiente:

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